O conto do olho que saiu pelo nariz
O conto do olho que saiu pelo nariz
Diego Aguiar Vieira
Buscou no
fim da história, as lembranças que havia juntado naqueles tempos de guerra. A
mala cheia, carregava fotografias, cartas, beijos e perfumes. E alguma dor,
também.
Abraçou o
próprio corpo e agradeceu pela vida, o vento contra o corpo, os lábios roxos de
frio.
Agora olhe
pra cá. Veja esse lindo olho atrás da vitrine. Ele é especial. Tem sua origem
em um mundo desconhecido. Além dos desejos, na plena satisfação de Ser. Um
pouco de amor fê-lo assim.
Aquela paz
ali, no entanto, não é para você. Sinto muito. Esse desespero é verdadeiro.
Talvez, seja só o que há.
Eu deveria
apagar essas palavras pessimistas. Mas não o farei. Permanecerão aqui, como o
tempo que se esvai e perde o significado.
Perdi a
paixão por personagens, as outras pessoas estão indo embora. Escorrendo por
entre meus dedos. Isso é assustador. É novo.
Eu posso
agüentar. Eu aceito esse desafio. Mais do que isso, eu o quero.