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Diego Aguiar Vieira Tô na busca,
agora. Dê licença, abra caminho, xispa daí! Esses
olhinhos pequenos, essa dor de quem ama. Podiam ser olhos esbugalhados, também.
E felicidade. E ódio. Tudo isso, misturado, batido no liquidificador, pronto
pra servir. Ou então,
essa coisa que não cessa. Essa coisa doída, esse cansaço de não se fazer nada,
de não ser nada. A menina.
She’s leaving home, por natureza. Ou é isso, ou vira escrava de tudo, cobra
venenosa, faiscando na escuridão, pronta pra explodir. Um pacote pronto pra se
abrir, milagres em ebulição, ouro na lama. A garganta
fechada, pronta pra gritar, contida, inda mais dolorida que o tempo dos tempos
pode sacudir. Qualquer coisa assim. Na falta de sentido, os pensamentos só fazem
doer, remoer, cogitar as possibilidades. Tudo o que
fará, tudo o que poderia ter feito. Da vez em que o carro quase lhe pegou. O
pânico, mais tarde, na cama, solitária ao lado de um homem que não é nada,
triste. Um “e se...”, na cabeça. E se tivesse sido atropelada? E o
desespero diante da idéia de estar sorrindo, de ser feliz com a idéia de estar
morta, longe daquilo tudo, livre de todas essas decisões precipitadas, essa dor
que não serve de nada. Respira
fundo, volta a realidade que não gosta. Mas que existe. Amaldiçoadamente, ela
existe. Aí, a busca
desesperada, a necessidade de encontrar um poço onde se afogar, beber tanto de
uma taça, até que a própria taça acabe sendo engolida, também. Uma dor sem
tamanho. Alcoolismo de vida. Viciada em adrenalina. Mas nem é
uma boa vida, também. Não é melhor do que a vida tola que tem. Diabo, nem
mesmo é alguma coisa de verdade. É só a raiva de sempre. Cenário:
boteco num morro qualquer. Chacina. Tombaram uns oito. Tombaram. Nada de morte
chorosa. Ninguém quer morrer, mas ninguém esperto quer, depois de morto, ficar
com fuça de santo, espevitado, tema de marchinhas da liberdade e da paz.
Morreu, morreu. Não importa o que tinha pela frente, pelamor. Só morreu. A moça
bonita, dezesseis anos, ta lá, também. Três tiros. Um no pescoço. Dois na
barriga. E com um sorriso estatelado. Escancarado. Do tipo que impacienta. A família
lamente. Boa família, repetem. Riquinha. Saia de casa como quem não quer nada.
Ia pra onde se sentia gente. Pouco importa se estava certa ou errada. O sorriso
assusta. Um policial,
o primeiro a chegar, Admilson não-sei-das-quantas, não consegue tirar os olhos.
E nem é dos peitos durinhos e bonitos. É o sorriso. O sorriso que nunca vai
sair. Tá lá, sem
dor. Enterrada em caixão fechada. O sorriso, ricto. Vai até a caveira. Até o
outro lado. E sem ser
santa, está bem? |
| Jessica October 20, 2007 06:18 PM PDT Que bizarro. Me econtrei nesse teu texto. Muito bom, por sinal. Enfim, só achei que precisava ser comentado. | ||
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