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As duas irmãs
não se falam há anos. Gêmeas, completamente diferentes, uma desatenta mãe de
família, a outra uma lésbica entristecida e entristecedora. Os olhos
daquela ali vão para o norte, a da outra, insensivelmente para o sul, como
todos os demais. A vida carente de poesia, semeando algo grandioso, perdido,
mas eternamente agradecido. Algumas
estrelas para você, outras poucas para mim. É melhor assim. Pelo menos, é o que
eu gosto de acreditar. Há dias em
que não há nada, só essa necessidade de gritar para todos o que se passa, dar
passagem, entrar de volta na corrente, por nada, talvez apenas um prazer
casual. Como se isso bastasse. Não basta. Invejo os
que se iludem com um pouco de prazer. Como gostaria ser um desses na multidão,
que fingem não sentir dor. No entanto,
cá estou eu, um pouco diferente, um pouco você. Um pouco confuso. E a certeza
de que você pode nem mesmo me conhecer. E isso me mata. Muita vez,
mais me mata do que me faz viver. Quero
brincar. Quero fingir que não sinto nada por você. Mas então, você me surge com
esse sorriso inédito, essas palavras inesperadas. E me mata mais um pouco. Mais do que
essa distância, essa incerteza. Mais do que essa vida, só essa incerteza. E como, e
isso é algo que eu tenho que admitir, eu adoro tudo isso. Adoro. E não troco
por nada. Bem...
Talvez por você. |
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