Entry: (um pequeno sigilo) May 10, 2008



 

  Eu sou uma espécie de psicodélico preto & branco.

  Corro apressado pro fim, cheio de esperanças falsas. Como todo mundo, alias. E ainda estou desaprendendo a escrever. As vezes, vejo em mim a múmia que serei aos setenta anos. Medroso, sei que sou, mas a coragem é algo que exige demais.

  Tenho preguiça da vida de elite da academia. Divirto-me, vivo na vida simples e mágica do campo e é de onde extraio esse momento de minha vida. Mas iniciei-me nele, o mel é amargo, a magia e o tempo já cobram o seu preço.

  Essa é a razão dessas linhas.

  Perco-me, desordenado na sorte que meus pés trazem.

  Isto se chama mudança.

  É mudança o gotejar destas palavras. É tudo o que tenho, me agarro com todas as forças e abro caminho para a história que é o que interessa.

  Meu amigo lamenta sobre um livro perdido. Alguém pode ter levado, ou perdeu-se na recente mudança.

  Em algum lugar, uma chorosa moça lamenta a própria sorte. Todos a querem, poucos a amam. E ainda há as piranhinhas, como essas que existem em todo lugar. Gostam de dar e utilizam a buceta como gatilho social.

 

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  Palavras são segredos bem guardados. Cada linha ecoa de um sentimento, tudo funcionando perfeitamente como se projetado além dos próprios corpos, perdido.

  Cada vez mais perdido.

  Estas linhas são sobre mim. Sobre minha maneira de me encontrar.

  A morte que, finalmente, me percebo desejando.

  É o fim, acabei-me em mim mesmo.

 

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  Olhando para minha infância, percebo que todos fiavam-se na esperança de um mundo melhor.

  Se foi.

 

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  Tenho me perdido por aqui nos últimos quatro, cinco anos. No mundo das palavras.

  Este tem sido o meu lar. Fugindo do que os outros premiam como realidade, eu me tornei mais do que um merda talentoso. Fui um Deus. Distribui pragas e milagres.

  Mas me esqueci de alimentar a carne.

  As únicas mulheres com quem me envolvi, foram elas que me buscaram. Nunca o contrário. Todas as outras, foram no plano das idéias. E quando se interessavam por mim, logo armava um labirinto para fugir disso. Talvez, eu seja misógino. É uma possibilidade.

  Mas vou mudar isso. Tenho muito o que fazer.

  Sou um mestre das fugas. Já consegui sair de enrascadas maiores. É hora de sair de outra.



Diego Aguiar Vieira

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